quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Leia a íntegra da entrevista do procurador-geral Roberto Gurgel dada à Folha



O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, concedeu entrevista à Folha na qual fala sobre o desfecho do processo do mensalão no Supremo, caso denunciado em 2006 e que, seis anos depois, foi julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), resultando na condenação de 25 réus.

Fala também sobre assuntos como o mensalão mineiro, da presidente Dilma Rousseff e das comparações com o apresentador Jô Soares.



Folha - Foram 25 condenados ao fim do julgamento do mensalão, um placar favorável ao Ministério Público Federal, que pedia a punição desses agentes. Qual o balanço que o senhor faz depois de quatro meses de julgamento e sete anos de processo?

Roberto Gurgel - O balanço é muito positivo. De um lado, a acusação, naquilo que era mais importante, nos aspectos essenciais, ela foi acolhida quase que integralmente pelo Supremo Tribunal Federal. Havia uma grande preocupação e, eu diria, o grande desafio desse processo era provar a responsabilidade das pessoas que integravam o chamado núcleo político. Por que? Porque efetivamente essa prova é diferenciada. Não é a prova direta que você tem em relação a executores da conduta criminosa quando você tem a quadrilha. Aquelas pessoas que estão no topo da quadrilha elas tem sempre uma participação cuidadosa e, por isso mesmo, provas diretas são praticamente impossíveis. Daí considerar extremamente positivo demonstrar a responsabilidade penal dessas pessoas com o Supremo entendendo que toda prova que era possível produzir nessas circunstâncias foi efetivamente produzida e oferecida pelo Ministério Público. Isso eu acho um aspecto muito importante que deverá surtir efeitos muito além desse processo. Diversas posições e entendimentos que foram firmados pelo Supremo Tribunal Federal... Eles são importantes não apenas pelo que significaram em termos da responsabilidade penal dos réus da Ação Penal 470, mas porque fixam parâmetros que serão extremamente importantes na persecução penal como um todo no Brasil.

O senhor está falando sobre um divisor de águas no Brasil?

Olha, é um marco muito importante, talvez um divisor de águas, nessa história dessa persecução penal da tentativa de responsabilizar pessoas envolvidas em esquema de corrupção do país.

Dá para dizer que o senhor atuou nesse processo desde o início - como vice-procurador e procurador-geral. Desde o início o senhor tinha a noção do tamanho do esquema?

Em primeiro lugar, quando eclodiu o escândalo o procurador-geral era o Antonio Fernando [de Souza] que cuidou diretamente desse assunto com ajuda de alguns colegas. Naquele momento eu acompanhei o que estava ocorrendo, mas sem uma participação nos detalhes da acusação. Tínhamos então a percepção de que estávamos realmente diante de algo muito grande e, diria até, de algo muito maior do que aquilo que acabou sendo objeto da denúncia. Antonio Fernando fez uma opção, a meu ver corretíssima, de quando nos defrontamos em qualquer investigação com um esquema criminoso muito amplo você tem que optar, em determinado momento, não em parar a investigação, mas limitar essa investigação. A percepção indiscutível é que, quando a coisa é ampla demais, se você não impuser limites a essa investigação, você não vai chegar a lugar nenhum porque, na verdade, irá passar de um lugar a outro, e a outro, e a investigação não tem fim. E qual é o efeito disso? Ao final ninguém vai ser responsabilizado porque o Ministério Público fica impossibilitado até de oferecer uma denúncia. O Antonio Fernando, sem dúvida, percebeu que era algo muito grande, mas que era preciso limitar uma investigação para que se pudesse dar consequência a essa investigação. O que isso significou? Não tenho dúvida, e o relatório da CPI [dos Correios, que investigou o mensalão] dá bem uma ideia disso, de que os fatos que foram objetos da denúncia representam apenas uma parte desse esquema. Haveria muito mais, esse esquema seria ainda muito mais amplo, do que aquilo que constou na denúncia. Mas o que constou da denúncia foi o que foi possível provar, com elementos razoáveis, que poderiam dar base a uma denúncia. De nada adianta você ter fatos e fatos, dezenas deles, em relação aos quais você não consegue estabelecer uma prova minimamente consistente. A opção feita foi a seguinte: aquilo que em um determinado momento, que coincidia com o final dos trabalhos na CPI, tinha sido possível provar, ou pelo menos reunir indícios consistentes de prova, foi selecionado para dar base à denúncia.

Dá para dizer que o que foi julgado foi a ponta de um iceberg?

É. Eu diria que, sem duvida alguma, que aquilo que foi julgado pelo Supremo representa apenas uma parte de algo que era muito maior. Não tenho ideia -nós não temos elemento para dizer se isso representava 1/3, ¼, não dá para quantificar- mas temos a percepção de que haveria muito mais que em relação ao que não foi possível provar. O Ministério Público faz muito um juízo de viabilidade. Ele verifica, em determinado momento, a prova que ele conseguiu reunir. As vezes, você diz: bom, reuni essa prova até aqui, mas é viável robustecer essa prova, acrescentar a essa prova outros elementos. Outras vezes você chega à conclusão oposta: o que eu tenho é apenas isso, isso não é suficiente para dar base para fundamentar uma denúncia, mas prosseguir nessa investigação também não vai me acrescentar nada pelas dificuldades de coleta de provas nesse tipo de crime.

O senhor estava falando do futuro, da importância do julgamento. Que jurisprudências o senhor acha que os juízes de primeira instancia terão que seguir a partir do julgamento?

Em primeiro lugar os juízes terão um grande parâmetro que o Supremo fixou, que crimes desse tipo não podem ser julgados à luz dos mesmos parâmetros que são utilizados na persecução penal de crimes extremamente simples, crimes que estão na faixa oposta dos crimes de colarinho branco. Os furtos e roubos são julgados a partir de determinados parâmetros. Trazer esses parâmetros para os crimes de colarinho branco é assegurar a impunidade, porque o tipo de prova será sempre diferente. O Supremo assentou que é preciso prova, e robusta, para qualquer condenação. Mas, digamos, o tipo de prova não é o mesmo daqueles de crimes extremamente simples, diria de uma marginalidade muito simples. Disso decorre uma série de situações. Primeiro, a tão discutida tese da teoria do domínio do fato. Não é uma grande novidade. O Supremo deu um grande destaque, mas isso já era aplicado no nosso Judiciário, na jurisprudência brasileira. Dar esse realce a teoria do domínio do fato é algo que terá muita relevância quando se falar na persecução penal desse tipo de crime nas diversas instâncias, seja no primeiro grau ou em outras instâncias.

Não há uma confusão quando se fala da teoria do domínio do fato com a responsabilidade objetiva?

Total. Na verdade, qual é a tese básica e essencial da defesa em qualquer situação em que se lide com esse tipo de crime, os chamados colarinhos brancos? É de que deveríamos exigir o mesmo tipo de prova que nós exigimos em relação ao punguista que bateu a carteira de alguém. Que tenha a prova direta, a testemunha que viu ele enfiando a mão no bolso, bolsa, essa coisa toda. A defesa tem a ideia de que esse tipo crime do colarinho branco tem que ser examinado à luz daquele mesmo tipo de prova, o que é um grande absurdo, evidentemente. Qual é o argumento seguinte da defesa? Se você não consegue apresentar, em relação a esse caso do colarinho branco, aquela mesma prova direta de quem viu o fato, a gravação em vídeo que você apresenta em relação a esse criminoso comum, então você esta incidindo na responsabilização penal objetiva. Responsabilidade penal objetiva é algo inteiramente diverso: seria pretender que a responsabilidade penal objetiva você pretender que a responsabilidade penal de alguém decorra meramente do fato dele ser, por exemplo, ministro de Estado, secretário de prefeitura etc. Não se reúne absolutamente nenhum elemento de prova em relação a aquela pessoa. Mas como ele era ministro de Estado e esses fatos ocorreram na sua pasta ele necessariamente tem que ser responsabilizado. Isso é responsabilidade penal objetiva. É algo que o nosso direito não aceita, aliás nenhum direito aceita. A teoria do domínio do fato, por outro lado, ela é oposto disso: ela não prescinde da prova. Em relação ao José Dirceu o Ministério Público demonstrou a participação dele em reuniões, ou episódios como aquele que estavam lá [o ex-tesoureiro do PT] Delúbio Soares, [o ex-secretário geral do PT] Sílvio Pereira e fazia-se um determinado acerto com algum partido e dizia-se: 'Mas quem tem que bater o martelo é o José Dirceu'. Aí, ou ele dava uma entrada rápida na sala ou dava um telefonema para ele e ele então dizia: 'Está OK, pode fechar o acordo'. Então veja que, na verdade, nós reunimos toda uma série de elementos de prova que apontavam para a participação efetiva dele. Agora, claro, não é aquela prova direta. Em nenhum momento nós apresentamos, nem poderíamos fazer, ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou ter uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido 'X' com a finalidade de angariar apoio do governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa. Aí vem a teoria do domínio do fato para dizer que, como essas provas indicam que ele se encontrava numa posição de liderança nesse sistema criminoso então é possível, sim, responsabilizá-lo a despeito da inexistência da prova direta. Prova havia bastante desse envolvimento dele. Mas não é aquela prova direta que só existe em relação aos executores do crime e não aquela que lidera a organização criminosa.

Ele era o homem forte do presidente Lula, mais poderoso, mas todo mundo se pergunta até hoje como é que o presidente Lula poderia não saber. Uma das coisas que não se conseguiu provar é a participação do presidente Lula no esquema. Mas isso nunca ficou na cabeça de vocês durante a investigação?

Esse foi um juízo feito na época do Antônio Fernando, do qual eu concordo, que no momento em que foi feito a denuncia os elementos de prova não apontavam para a participação do presidente Lula. Então eu não tenho dúvida que ele seria cobrado por isso, por não incluir o presidente Lula. Mas ele efetivamente não viu --e eu concordo com a conclusão dele- o mínimo de elementos consistentes apontando para a responsabilidade do presidente Lula. Todos nós aqui tínhamos a percepção de que essa era uma denúncia extremamente difícil. Responsabilizar pessoas que naquele momento, e até hoje, são extremamente poderosas é sempre muito difícil. Por isso o que se quis desde o início foi oferecer uma denúncia fundamentada em provas. O Ministério público não quis empreender uma aventura porque sabia que, mesmo solidamente amparada em provas, seria uma denuncia de viabilidade difícil. Era uma das primeiras vezes que se responsabilizava [não só] uma pessoa, mas todo um grupo que era o grupo que dominava o partido do governo. Mas naquele momento não houve elementos suficientes para isso. Para oferecer uma denúncia contra aquelas pessoas já se teve que reunir [provas] com muita dificuldade, pelas características do crime, consistentemente. Em relação ao presidente precisaria ter a prova mais que robusta porque seria uma irresponsabilidade denunciar um presidente da República.

O que já era difícil com o ministro José Dirceu...

Muito mais difícil com o presidente da República.

E o que muda com esse depoimento do Marcos Valério até agora?

Essa procura que, salvo engano, aconteceu em setembro, foi o seguinte. O advogado dele fez um contato com o gabinete do ministro Joaquim Barbosa e também com o gabinete da presidência do STF. No sentido de que ele gostaria de ser recebido porque teria novas informações e gostaria de prestar um novo depoimento. Então o ministro Carlos Ayres Brito, na condição de presidente do Supremo, me procurou para relatar isso dizendo que conversara com o ministro Joaquim e que não seria muito adequado que o relator o recebesse no Supremo. Mas que parecia mais adequado que o procurador-geral o recebesse. Então disse que me disporia a recebê-lo e isso foi transmitido ao advogado dele. Então vieram aqui o advogado [Marcelo Leonardo] e o próprio Marcos Valério nesta sala. Chegaram aqui e duas coisas eram evidentes na minha visão: o que se pretendia naquele momento que, segundo ele, influiria decisivamente nos rumos da Ação Penal 470. E em razão desse depoimento, ele esperava receber benefícios por essa colaboração, como a redução de penas. O que eu percebi claramente era que se nós fossemos admitir qualquer tipo de elemento de prova adicional em relação à Ação Penal 470 teriamos que anular aquele início de julgamento e reabrir a instrução criminal. Esquecer aquele pedaço que já havia acontecido para que nós pudéssemos oferecer essas novas provas resultantes desse depoimento dele e, claro, com a defesa se manifestando sobre isso. Aquilo significava, em português claríssimo, melar o julgamento. Eles queriam melar o julgamento. Naquele momento eu vi essa tentativa não como dele, mas como uma tentativa que favoreceria todo mundo, todos os denunciados seriam favorecidos por um adiamento do julgamento, sei lá para quando. Então, a primeira coisa que disse ele foi que nada, absolutamente nada, nesse depoimento que ele se dispunha a prestar, seria utilizado na Ação Penal 470. E, em consequência, disse também a ele que nenhum beneficio ele teria em razão do depoimento. Essa [foi] a posição da Procuradoria, que não excluiria eventualmente o relator ou o tribunal achar que ele vinha demonstrando boa vontade. Entendia que ele tinha vindo prestar esse depoimento pensando nisso, nesse benefício. Na verdade, acho que ele pensava mais em embolar o julgamento. Então disse que ele ficasse inteiramente à vontade para desistir da ideia de prestar o depoimento. O advogado disse que eles estavam muito frustrados, já que imaginavam que pudesse ser usado na [Ação Penal] 470 e ter benefícios em razão disso.
Eu inclusive deixei os dois sozinhos e me retirei para que eles conversassem e depois de um tempo o doutor Marcelo [Leonardo, advogado de Valério] me chamou e eu voltei. Ele disse: 'Gostaria que o Marcos Valério, na sua frente, dissesse, nessas condições que o senhor expôs, se ele persiste com o depoimento'. Ele então disse: 'Persisto'. Nessas condições eu determinei que ele fosse ouvido por uma subprocuradora-geral e por uma procuradora regional da República desde o início nessa ação. O depoimento dele é hoje, em grande parte, de conhecimento público porque não é a primeira vez que ele vem aqui, pede o sigilo absoluto, que foi garantido pelo Ministério Público, absolutamente ninguém teve acesso a esse depoimento, mas eu acho que grande parte dele já foi divulgado. Ele dizia que se esse depoimento fosse divulgado ele não teria mais 24 horas de vida, tal a importância do que seria dito. Ele prestou um depoimento de duas horas e a primeira impressão das colegas que o ouviram é de que o depoimento trazia elementos novos, mas não tinha nada de bombástico. É um depoimento que não é longo, feito em duas horas, com aquela coisa que para e retoma. Ele, em primeiro lugar, robustece algumas teses do Ministério Público e em relação a todo esquema criminoso. Reforça a participação daquelas pessoas do núcleo politico nessas reuniões e há uma referência àqueles valores decorrentes de empréstimos que eram contraídos junto ao Banco Rural que eles teriam também a finalidade de pagar despesas do [ex-]presidente Lula. Em relação a isso ele menciona que haveria pagamentos feitos ao Freud Godoy [ex-assessor de Lula], que trabalhava na Presidência da República e tinha uma empresa de segurança. Em essência, ele não é novo em sua maior parte, mas traz novos elementos que eu diria que não são grandes. Algumas novas informações que, ao ver do Ministério Público, só evidenciam que a nossa acusação procedia mesmo. Eu disse a ele antes do depoimento: 'A sua colaboração foi sempre muito desejada pelo Ministério Público, mas ela nunca se efetivou'. Houve um momento que ele apareceu aqui, quando Antônio Fernando era o procurador-geral, para também prestar um depoimento que também derrubaria a República. Prestou um depoimento absolutamente sem coisa e também pediu sigilo e saiu daqui e quase fez uma coletiva com a imprensa lá em baixo revelando tudo que havia dito. Nesse caso ele saiu daqui com uma das vias do depoimento.

Se ele tivesse dito isso lá no inicio daria para colocar o presidente Lula na denúncia?

Teria que aprofundar a investigação em relação a isso. Ele aponta apenas isso: que alguns dos empréstimos feitos teriam, além daquelas finalidades indicadas na denúncia, a finalidade de pagamento do que ele chama de, salvo engano, despesas pessoais do presidente da República.

Mas agora da para dizer que o presidente Lula é investigado?

Ele ainda não é investigado. Eu despachei no mesmo dia que, considerando o estágio em que se encontrava a Ação Penal 470, com o julgamento já iniciado, não é possível utilizar qualquer elemento porque estava encerrada a instrução criminal. E para evitar qualquer tipo de embaraço ao julgamento eu determinei que ficassem aqui sobrestados [suspensos] esse procedimento, que contém o depoimento, e que isso seria examinado tão logo concluído o julgamento. Agora vamos passar para essa fase do exame. Uma coisa que já posso adiantar que hoje o presidente Lula não detém prerrogativa de foro então eventual exame de sua participação já não caberá ao procurador-geral da República, mas a um procurador da República de primeira instância.

E isso já foi feito?

Ainda não, mas é o que provavelmente irá acontecer. Como eu disse não há quase nenhuma novidade, mas os fatos que estão ali não envolvem - a princípio, e é isso que tenho de concluir - com prerrogativa de foro. E não envolvendo tem que ir para o primeiro grau, que tem a atribuição para isso. Mas já digo: não são aqueles fatos grandiosos, há muito pouco de novo.

O senhor acha que houve um movimento pensado dele em fazer um vazamento e tumultuar o julgamento?

Pela parte do Ministério Público garanto em termos absolutos que ninguém teve acesso ao depoimento. Mas o principal objetivo frustrou-se diante da posição do Ministério Público de não levar em conta esse depoimento para a Ação Penal 470. Esse era o grande objetivo. Teria que se jogar fora todo o julgamento. Era anulado. Significava inviabilizar por um prazo indeterminado -sem dúvida nenhum muito longo- a continuidade do julgamento.

Poderia ser uma chantagem ao presidente Lula?

Não. Claro que se valoriza sempre qualquer referência ao presidente Lula.

Qual o crédito que tem um depoimento dado após início do julgamento?

O depoimento quando vem a titulo de uma colaboração é sempre examinado com muita prudencia e cautela pelo Ministério Público. Nós sabemos que a colaboração pode, as vezes, se prestar a alguns desvios na apuração. Nós desejamos muito a colaboração dele, ele várias vezes acenou e não fez nada de concreto. Quando ele veio a primeira vez, e nós espremíamos o depoimento, não havia nada. O que se espera de um colaborador são fatos novos e provas novas e o Marcos Valério, com muita frequência, traz fatos que vocês da imprensa já publicaram. E ele coloca no depoimento como se fosse uma tremenda novidade. Ele é uma pessoa extremamente hábil, sabe se utilizar de todas essas tentativas. A conversa que tive com ele e o advogado foi totalmente gravada. E do depoimento consta que a colaboração dele, se fosse julgada consistente, poderia a vir beneficiá-lo em outros processos que se encontram na primeira instância.

Marcos Valério pediu alguma proteção para dentro da cadeia?

Não. Como eu disse, ele inicialmente apelou para que eu tudo fizesse para assegurar o sigilo do depoimento que ele ia prestar. Eu até imediatamente disse: 'Olha, senhor Marcos Valério, da vez passada que o senhor prestou depoimento aqui, o senhor fez o mesmo pedido e ao descer aqui deu uma coletiva divulgando todos os fatos. Então, vazamento aqui não acontece do Ministério Público, acontece de sua parte'. Ele então disse que se o depoimento dele vazasse, ele não teria 24 horas de vida. Eu então disse que gostaria de saber se ele estava ameaçado e aí me dirigi ao advogado e perguntei o que ele gostaria de obter em termos de providências para assegurar a proteção ao Marcos Valério. E ai o advogado, com todas as letras disse: 'Doutor Gurgel, por enquanto, não há necessidade de nada. Se essa situação se modificar, imediatamente comunicarei ao senhor'. E ai eu disse que a questão da segurança de Marcos Valério é absolutamente prioritária. O Ministério Público adotará todas as medidas necessárias junto ao Supremo, junto à Polícia Federal no sentido de garantir a segurança.

O senhor propôs a prisão para os condenados do mensalão e o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, negou. Quando agora essa decisão será cumprida?

Eu acho que você toca num ponto que para mim é muito importante. Eu acho que o Supremo Tribunal Federal fez um esforço magnífico na condução desse processo. Desde o início. Para um processo dessa dimensão, com o número de réus, tivemos uma tramitação, considerando nossa tramitação processual, muito célere. Chegamos a um resultado, se não um divisor de águas, talvez seja um divisor, mas um marco histórico nessa persecução penal no Brasil, na repressão do crime de colarinho branco. Mas nós não acabamos. É preciso dar efetividade a esse julgamento. Para mim e para o Ministério Público, o que nós tivemos até agora é muito importante, é um marco histórico, mas não basta. É preciso que os juízos condenatórios proferidos pelo Supremo Tenham as devidas consequências. E isso representa a execução da decisão do Supremo nos seus mais variados aspectos. Na questão dos mandatos parlamentares, na questão dos mandados de prisão, enfim, todos os aspectos que decorrem de um juízo condenatório penal. Essa é a grande preocupação do Ministério Público para os próximos meses.

O senhor fez esse pedido quando o semestre já tinha terminado. Foi uma opção consciente para deixar nas mãos do presidente? Advogados criticaram isso.

O que acontece é que a execução do julgado compete ao relator. Eu tinha já na sustentação oral feito esse requerimento e tive o cuidado de esperar a conclusão do julgamento e dois dias depois fiz o pedido. Respeito a posição do ministro Joaquim, mas continuo convencido de que pelas circunstâncias do caso, que é uma decisão plenária do Supremo Tribunal Federal, em relação à qual cabem apenas embargos declaratórios, já que os embargos infringentes não mais são admissíveis, e esses embargos não têm efeitos modificativos, então acho que é possível que se dê execução da decisão, que não será provisória, mas seria a execução definitiva.

E agora, a efetividade do julgamento corre risco?

Meu temor é assistir cenas como as recentes fotos do [empresário Carlinhos Cachoeira, condenado em primeira instância mas em liberdade] no resort. Isso demonstra a falta de efetividade da Justiça. Essa é a preocupação que o Ministério Público tem. Nosso sistema processual é muito generoso e muito propício a certas manobras da defesa. Temos ainda que aguardar a publicação do acórdão. Não tenho dúvida de que tentarão ainda a tese do cabimento dos embargos infringentes e começam então os embargos declaratórios. Em princípio, todos os réus que desejassem propor esses embargos, deveriam fazer numa mesma oportunidade, após a publicação do acórdão. Mas ao meu ver, dificilmente deixaremos de ter embargos sucessivos. Ou seja, num primeiro momento, alguns réus opõem os embargos, ai vem uma primeira decisão. Então, novos embargos são opostos por outros réus e adiante por outros e outros. Num número elevado de réus condenados, é muito fácil que o manejo dos embargos declaratórios pela defesa possa levar a um adiamento a meu ver bem prolongado da execução do julgado do Supremo.

De quanto?

É difícil fixar um prazo. Alguns falavam em maio. Mas eu acho que é muito fácil um ano aí pela frente. Agora, é muito difícil prever e eu adorarei estar enganado. Mas vai exigir um esforço ainda maior do Supremo de conseguir julgar num prazo curto. Não tenho dúvida que o Supremo também está muito preocupado em dar efetividade à decisão.

Sobre o processo do "mensalão mineiro": há uma crítica de que os casos são tratados de maneira diferenciada. O que o senhor acha?

A posição do Ministério Público sobre isso é muito tranquila porque pediu o desmembramento do mensalão [do PT]. E o ministro Joaquim Barbosa, aliás, também votou pelo desmembramento, mas acabou vencido. A posição do Ministério Público é de que, em regra, deve haver o desmembramento até porque foi um esforço gigantesco de conseguir julgar um processo desse no Supremo. Claro que, como tudo na vida, há vantagens e desvantagens. Neste caso, houve um exame mais completo do esquema criminoso.

No caso do "mensalão mineiro", o senhor também aposta em condenações das autoridades ligadas ao PSDB?

Acho que é uma questão da prova que for possível reunir. Se reunir a prova necessária, não há nenhum motivo para que não haja condenações.

Hoje, dá para dizer que está avançada?

Curiosamente, fala-se muito da questão da prerrogativa de foro, mas as ações que estão no primeiro grau não estão no mesmo estágio do que ficou no Supremo. Pode demorar um pouco. Acho que a conclusão do julgamento do mensalão vai ter um efeito de pressão, de acelerar a tramitação deste outro.

Vimos recentemente o possível futuro presidente da Câmara, Henrique Eduardo Maia, dizendo que, se eleito, não irá cumprir a decisão do Supremo sobre a perda dos mandatos. No ano passado, o atual presidente, Marco Maia, chegou a dizer que poderia abrigar os deputados, caso tivessem que ir para a cadeia. Como o senhor vê essas declarações?

O ministro [do STF] Celso de Mello, em seu voto, disse tudo. Citando Rui Barbosa, ele disse que quando se trata da interpretação da Constituição, a ultima palavra é sempre do Supremo e aos outros Poderes só cabe cumprir essa decisão do Supremo. É o que eu vejo. Só cabe a qualquer presidente de bom senso acatar essa decisão e dar cumprimento. Eu acho que será inconcebível que a presidência da Câmara venha a negar cumprimento a uma decisão do Supremo. E a questão de uma espécie de asilo, abrigo, isso é mais absurdo ainda. Não pode a Casa legislativa se transformar em esconderijo de condenados.

No caso de descumprimento, cabe sanção?

Em tese, caracteriza sim crime.

Qual?

Ai teremos que enquadrar no devido tempo, mas não há dúvida que é uma conduta que tem sim feição de responsabilidade penal.

Há medidas, então, a serem tomadas pelo próprio procurador-geral?

Como sempre. As batatas quentes são sempre aqui.

A gente vê esse tipo de tensão em diversos temas. É o caso, agora da distribuição do Fundo de Participação dos Estados. Se o governo pagar, sem base legal, não pode também criar problemas?

Pode. Acho que o Supremo deu prazo muito generoso e realista [ao, em 2010, mandar que o Congresso estipulasse até o final de 2012 novos critérios para a distribuição do Fundo] e isso pode acabar levando, no caso, ao que muitas vezes se critica, que é o Supremo adotar uma postura de acabar suprindo essas omissões do legislador para impedir esse vácuo legislativo.

Sobre o poder de investigação do Ministério Público, o senhor avalia que é coincidência essa tentativa no Congresso de limitar essa prerrogativa da sua instituição.

Não é uma mera coincidência. Eu acho que se relaciona sim ao julgamento do mensalão. Veja bem. Essa proposta tramita há vários anos, mas passa uns períodos meio que dormindo, com tramitação mais lenta. Então, sem dúvida é uma curiosíssima coincidência que adquira um fôlego todo especial bem no final do julgamento do mensalão. Eu vejo e já disse isso como uma retaliação ao Ministério Público.

Partindo de quem?

De pessoas que não gostaram da atuação do Ministério Público no mensalão e acham que é preciso podar a instituição ou amputar de uma de suas atribuições mais essenciais.

E a gente percebe também a presença do ex-presidente [Collor] nessas críticas.

Eu fiz toda uma cuidadosa verificação se tinha atuado em alguma coisa relacionada ao [ex-]presidente Collor e não consegui atuar em absolutamente nada que fosse relevante. Então continuo sem entender essa verdadeira obsessão que o [ex-]presidente Collor tem demonstrado em relação à atuação do procurador-geral. É inexplicável. Na verdade, em relação a mim pessoalmente nada encontrei. Em relação à instituição, todos sabemos que o procurador Aristides Junqueira [o] denunciou por diversos crimes, mas isso seria um ressentimento contra a instituição.

Mas ao mesmo tempo, o senhor foi reconduzido ao cargo logo depois de entregar as alegações finais do mensalão. Isso significa um avanço?

Sem dúvida. Vou até dizer uma coisa a vocês. Houve essa coincidência de que o prazo para as alegações finais se esgotava logo depois do período da minha possível recondução e eu tive uma notícia por uma pessoa do governo de que a presidente da República decidiria sobre a recondução no dia seguintes ou em dois dias e o prazo das alegações finais se encerrava dois dias depois. Então pedi a essa pessoa que informasse a presidente da República que eu estava apresentando dali a dois dias as alegações finais e que apresentaria as alegações finais mantendo todas as acusações [do julgamento do mensalão], à exceção daqueles dois casos. E disse que gostaria que a presidente da República não decidisse sobre a minha recondução sem saber que eu apresentaria as alegações nesse sentido. Me garantiu esse interlocutor que daria e deu conhecimento à presidente da República, que decidiu já sabendo. Isso mostra um grande avanço.

É uma característica positiva da presidente Dilma...


Tem se aprimorado ao longo do tempo. Uma série de episódios que são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito, essas retaliações, ataques pessoas, mas por outro lado, episódios como esse, que mostram que estamos
avançando muito.


Por que a polícia reage tanto ao poder de investigação?

Não vejo a polícia como um todo, pode até dizer que são amplos setores da polícia. Mas há setores da polícia que não tem essa posição radical a esse respeito. O Ministério não pretende e jamais pretendeu substituir a polícia. A polícia é voltada para isso. O que o Ministério Público defende é que a participação dele significa uma colaboração importante. As instituições devem se unir para gerar resultados mais produtivos para a sociedade.

E por que alguns setores criticam?

Vejo como algo corporativo, talvez um temor de perda de poder, mas na verdade não há essa perda de poder. A polícia terá sempre uma importância imensa na investigação dos delitos. Mas o Ministério Público tem condições, sempre de forma excepcional, de em certos casos, em razão de suas prerrogativas, melhor conduzir determinadas investigações, sempre contando com o auxílio da polícia. Como diz o [ex-]ministro [do STF] Ayres Britto, retirar do Ministério Público o poder de investigação é retirar a alma da instituição.

O senhor faz parte de um grupo dentre da Procuradoria. Ele ainda existe ou se diluiu ao longo dos anos?

Na verdade, [é] o chamado 'grupo dos tuiuius', que nasceu de uma brincadeira feita pelo [ex-procurador-geral] Cláudio Fonteles, que reunia pessoas que tinham uma visão semelhante a respeito do Ministério Público, centrada na independência e autonomia da instituição e trabalhar para que isso fosse consolidado. Tivemos a grande vitória na Constituição de 1998, mas era preciso concretizar esse perfil constitucional com trabalho cotidiano, iniciativas de cada dia. Esse famoso grupo representava isso. Reunião de pessoas que comungavam de um mesmo entendimento e a mesma visão de como deveria ser o Ministério Público. O esforço de honrar essa visão e luta por um Ministério Público sempre indepentente, autônomo e equilibrado.

O grupo se diluiu?

O grupo perdeu ao longo do tempo, por conta de aposentadorias, pessoas que eram muito importantes, como Cláudio Fontelles, Antonio Fernando Souza, Wagner Gonçalves. Pessoas que sempre trabalharam juntos e discutiram esses temas todos e a saída desses colegas acabou esvaziando um pouco essa ideia do grupo. Mas isso é uma corrida de revezamento.

O sr. gostaria de ser substituído por uma mulher?

Gostaria de ser substituído por alguém que leve adiante essa luta. Se homem ou mulher, ai tanto faz. Tenho as minhas duas vice-procuradora, [elas] são mulheres. Tanto a vice-procuradora geral Deborah [Drupat], como a vice-procuradora Eleitoral Sandra [Cureau] são mulheres e [isso] aí já mostra que eu sempre gostei de prestigiar as mulheres. Agora, para procurador-geral é difícil.

Pensa em aposentadoria?

O mais provável é que eu vejo essa coisa de renovação e a permanência na instituição pode até acontecer por um período curto. Mas por um período mais longo fica algo de fantasmagórico em relação àquele que foi procurador-geral e que continua circulando pelos corredores. Certo ar que não me agrade muito. A tendência então é essa [aposentadoria].

Como é ter uma esposa que é sua colega de trabalho?

Em primeiro lugar, Cláudia é procuradora por concurso. Eu sou do 5º concurso e tomei posse em julho de 1982. Ela é do 7º concurso e tomou posse em 1º de outubro de 1984. Significa dizer que ela tem quase 30 anos de instituição. Atua na área criminal há muitos e muitos anos. Eu não inovei em nada. Ela tem a mesma função na coordenação da área criminal desde os tempos do Cláudio Fonteles, prosseguiu com Antonio Fernando e eu simplesmente mantive. E mantive uma pessoa que é da carreira. O próprio [ex-]presidente Collor fala muito em nepotismo até. Mas é nepotismo concursado. E mais: isso é uma função que não tem qualquer remuneração adicional. Só dor de cabeça.

O senhor nunca se importou de ser comparado com o Jô Soares. Mas, durante o julgamento do mensalão, ficou incomodado quando um advogado de defesa fez essa relação. Por que?

Essa questão do Jô Soares, isso de muitos anos eu ia na escola dos meus filhos e quando entrava o pessoal começava a gritar: 'Jô, Jô, Jô'. Era algo que acompanhava há muito tempo. Tem um episódio engraçado, embora seja de certa forma a confissão de um crime [risos]. Eu estava na praça de alimentação no aeroporto de Salvador [BA], de férias, e vem um garçon e me pergunta se sou o Jô Soares e eu respondo que não. Então ele diz: 'Também achava que não era, mas minha colega ali está absolutamente convencida que o senhor é o Jô Soares, então gostaria de pedir um grande favor, que o senhor autografasse para ela'. Eu disse então que não poderia autografar por não ser o Jô Soares. Então ele disse: 'Mas ela tem certeza que você é o Jô e vai pegar muito bem para mim se eu conseguir esse autógrafo. Coloca só assim: 'Um beijão do Gordo'. Então, eu escrevi. Esse falso [falsidade ideológica] eu cometi. Mas isso nunca me incomodou. Mas naquele dia [em que um advogado dos réus do mensalão fez a comparação] eu achei que era um certo desrespeito. Não a mim, mas ao Ministério Público e ao próprio julgamento.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1212583-leia-a-integra-da-entrevista-do-procurador-geral-roberto-gurgel.shtml

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A FORÇA DE MOBILIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS


Vale a pena mobilizar!

Carta publicada ontem no Globo...
Para fazer "a revolução", não precisamos pegar em armas ou acabar com a vida de ninguém. A nossa "arma", são as redes sociais, acredite no poder que nós temos. Basta cada um fazer a sua parte e ampliar.
Tá na sua mão. Na nossa mão.
Seja bastante coerente.

A Carta publicada no Globo
Tudo tem um começo,... e parte de um princípio!
um dia a casa se "apruma"!

Esta é uma Matéria que vale a pena repassar, solicito que divulguemos com entusiasmo, chega de nepotismo e de interesses ardilosos!

A Carta publicada ontem no Globo Por Gil Cordeiro Dias Ferreira

Que venha o novo referendo pelo desarmamento. Votarei NÃO, como da primeira vez, e quantas forem necessárias. Até que os Governos Federal, Estaduais e Municipais, cada qual em sua competência, revoguem as leis que protegem bandidos, desarmem-nos, prendam-nos, invistam nos sistemas penitenciários, impeçam a entrada ilegal de armas no País e entendam de uma vez por todas que NÃO lhe cabe desarmar cidadãos de bem.
Nesse ínterim, proponho que outras questões sejam inseridas no referendo:
· Voto facultativo? SIM!
· Apenas 2 Senadores por Estado? SIM!
· Reduzir para um terço os Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores? SIM!
· Acesso a cargos públicos exclusivamente por concurso, e NÃO por nepotismo? SIM!
· Reduzir os 37 Ministérios para 12? SIM!
· Cláusula de bloqueio para partidos nanicos sem voto? SIM!
· Fidelidade partidária absoluta? SIM!
· Férias de apenas 30 dias para todos os políticos e juízes? SIM!
· Ampliação do Ficha-limpa? SIM!
· Fim de todas as mordomias de integrantes dos três poderes, nas três esferas? SIM!
· Cadeia imediata para quem desviar dinheiro público (elevando-se para a categoria de crime hediondo? SIM!. Atualização dos códigos penal e processo penal? SIM!
· Fim dos suplentes de Senador sem votos? SIM!
· Redução dos 20.000 funcionários do Congresso para um quinto? SIM!
· Voto em lista fechada? NÃO!
· Financiamento público das campanhas? NÃO!
· Horário Eleitoral obrigatório? NÃO!
· Maioridade penal aos 16 anos para quem tirar título de eleitor? SIM!

Um BASTA! na politicagem rasteira que se pratica no Brasil? SIM !!!!!!!!!!!

"O dinheiro faz homens ricos; o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz homens grandes."

DIVULGUEM PELO MENOS PARA DEZ PESSOAS DA SUA RELAÇÃO
VAMOS VER SE MUDAMOS O BRASIL? ESTÁ EM NOSSAS MÃOS.
COLOQUEM
 NO CCO  QUANDO FOREM REPASSAR. VAMOS VER SE MUDAMOS O BRASIL? ESTÁ EM NOSSAS MÃOS.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Cadê Dilma, a administratora competente?, por Mary Zaidan




Administradora competente, gerente imbatível. Essa era a combinação projetada no tubo de ensaio dos marqueteiros para a presidente Dilma Rousseff. Mas algo saiu do esquadro e, ainda que goze de índices de popularidade recordes, a mítica figura de gestora de primeira de nada valerá para destravar a economia.

Investimento e PIB baixos, gastos públicos muito acima do razoável e inflação em elevação, especialmente para os mais pobres, vão exigir muito mais do que berros, autoritarismo e murros sobre a mesa, esses sim, ativos que a presidente tem de sobra.

A figura de gerente eficiente foi forjada ainda em 2008, quando o ex Lula, em campanha eleitoral antecipada, lhe conferiu o título de mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ao aceitar o agrado, Dilma disse que se tratava de um “título simbólico” para evidenciar sua capacidade de coordenação. O PAC, como se sabe, tanto o primeiro quanto o segundo, continua empacado, mesmo com Dilma na cadeira máxima do Planalto.

Melhor, então, era esquecer essa história de mãe do PAC. Daí não sairiam mais frutos.

No primeiro ano como presidente, com a avalanche de denúncias de corrupção sobre gente do governo que herdara do padrinho Lula, Dilma agregou a figura da faxineira, aquela que não tolera malfeitos.

Até demitiu meia dúzia de auxiliares diretos. Mas sem muita firmeza e convicção, já que protegeu o amigo Fernando Pimentel.

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio continua intocável mesmo depois de receber R$ 2 milhões por palestras fantasmas e de ser denunciado pela Procuradoria Geral da República por crimes de fraude em licitação e desvio de recursos quando era prefeito de Belo Horizonte.

Para encobrir o benquisto, Dilma interveio até na Comissão de Ética Pública, substituindo aqueles que queriam investigar o ministro.

Tal como a de gestora nota 10, apesar do PAC, a fama de faxineira pegou. Mas se a segunda é mais popular – faxina é algo que todo mundo entende - é a primeira que tem feito falta.

O ocaso na infraestrutura, as frequentes intervenções do Governo em empresas públicas, como na Caixa, BB, Petrobrás e Eletrobrás, que o digam.

A traquinagem contábil para cumprir a meta fiscal e a edição de Medida Provisória inconstitucional com créditos de mais de R$ 42 bilhões são elementos a mais para desmontar a lenda da competência de gestão.

Mantido o grau de eficácia do governo, Dilma terá de apelar para Saturno, regente de 2013, que, dizem os astrólogos, ensina tudo sobre “estrutura, responsabilidade e concentração”.

Ou para a serpente, símbolo de sorte, pelo menos para os chineses.

domingo, 6 de janeiro de 2013

GOVERNO FAZ MAQUIAGEM FISCAL


Governo faz manobra para levantar R$ 16 bi e cumprir meta fiscal de 2012

Operações contábeis com recursos do Fundo Soberano, BNDES e Caixa garantem superávit, mas afetam credibilidade da política fiscal






Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - Nos últimos dias de 2012, o Ministério da Fazenda fez uma série de manobras para aumentar receitas e cumprir a meta fiscal. O governo pôs em prática uma gigantesca operação de triangulação financeira com o uso do Fundo Soberano do Brasil (FSB), Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que garantiu o ingresso de pelo menos R$ 15,8 bilhões nos cofres em dezembro.

A operação consumiu a maior parte dos recursos depositados no Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE) - onde estavam aplicados os recursos do FSB. O Tesouro resgatou, em 31 de dezembro, R$ 12,4 bilhões do FFIE, reduzindo o patrimônio para R$ 2,85 bilhões, de acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários.O dinheiro reforçou o superávit primário - a economia feita para pagar as despesas com juros da dívida -, mas minou ainda mais a credibilidade da política fiscal brasileira.

Manobras. Portarias do Ministério da Fazenda, editadas no último dia de 2012, mas publicadas somente nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, revelaram como as operações foram feitas.
A operação começa com o BNDES. O banco comprou ações da Petrobrás que estavam no FFIE e pagou com títulos públicos. O Tesouro transformou esses papéis em dinheiro, no valor total de R$ 8,84 bilhões.
Ao trocar os títulos por dinheiro, os recursos foram contabilizados como ‘caixa’ do governo, engordando as contas públicas.
O BNDES também antecipou mais R$ 2,31 bilhões em dividendos à União. Ao mesmo tempo, o governo reforçou o caixa do banco, antecipando a liberação da última parcela - de R$ 15 bilhões - de um empréstimo de R$ 45 bilhões do Tesouro. Esse dinheiro só seria liberado em 2013.
A Caixa completou as manobras, com antecipação do pagamento de dividendos no valor de R$ 4,6 bilhões. O banco, que registrou lucro de R$ 4,1 bilhões até setembro, pagou volume recorde de R$ 7,7 bilhões de dividendos à União em 2012. Para compensar, o governo aumentou o capital da Caixa em R$ 5,4 bilhões, com ações da Petrobrás.
Essas manobras, que são conhecidas como "contabilidade criativa", foram feitas para fechar as contas em dezembro e tentar garantir o cumprimento da meta fiscal de R$ 139,8 bilhões.
O governo recorreu às manobras, mesmo depois de ter usado outro expediente polêmico: o abatimento dos gastos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da meta fiscal. Mesmo com o desconto dos R$ 32 bilhões do PAC, faltavam ainda cerca de R$ 20 bilhões para cumprir a meta de 2012.
Esse valor será alcançado com a ajuda da engenharia financeira do Tesouro. O valor exato que será usado dos R$ 15,8 bilhões obtidos com as manobras contábeis só será conhecido no fim do mês, quando o governo fechar a contabilidade de 2012.
Moribundo. Todo esse malabarismo contábil está sendo bombardeado até mesmo dentro da área econômica do governo. A avaliação de importantes integrantes da equipe econômica, ouvidos pelo Estado, foi de que o Tesouro, desta vez, se excedeu na "contabilidade criativa", minando a credibilidade da política fiscal. A percepção, segundo essas fontes, é que o superávit primário pode ter perdido definitivamente seu valor como indicador da política fiscal.
Além disso, ficou difícil qualquer avaliação sobre a qualidade do resultado, com influência negativa também sobre as contas públicas em 2013 e nos anos seguintes. "O superávit primário, que estava moribundo, agora foi sepultado", disse um integrante da equipe econômica.
Uma área importante do governo avalia que essa maquiagem contábil não faz sentido econômico e que seria melhor ter reduzido a meta fiscal.
Desde o início de 2012, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, afirmavam que a meta seria cumprida para ajudar o BC na redução dos juros. O compromisso só foi abandonado depois que o BC reduziu a taxa Selic para o menor valor da história e indicou a manutenção dos juros por um "período prolongado". Procurada pelo Estado, a Fazenda não se manifestou.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Processos com repercussão geral serão prioridade em 2013 no STF





O ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, afirmou que, em 2013, os processos com repercussão geral serão “prioridade número um” na pauta de julgamentos do STF. “Tenho uma equipe trabalhando com exclusividade nessa matéria”, contou, acrescentando que há uma interlocução entre o Supremo e os tribunais federais e estaduais “para tentarmos solucionar esse problema que é grave, que é sério”.

Segundo o presidente da Corte, o exame dos casos de repercussão geral ficou praticamente paralisado em 2012. “Foi um ano atípico: no primeiro semestre julgamos casos bem complexos, que tomaram a atenção dos ministros por quase todo o período, e o segundo semestre foi dedicado praticamente para uma só ação [AP 470]”, avaliou.

O ministro disse que espera que o plenário do STF analise, nos primeiros meses do próximo ano, processos prontos para julgamento, a fim de fazer uma limpeza na pauta. “Estou na expectativa de que tenhamos algo mais regular nesses primeiros meses de 2013”, disse.

Entre os temas que devem ser votados este ano estão a descriminalização das drogas, processos sobre a legalidade da demarcação de áreas quilombolas pela União, índices de correção da caderneta de poupança em planos econômicos, poder de investigação do MP e proibição do uso do amianto.

A escolha dos processos que vão a julgamento nas sessões do tribunal em 2013 caberá ao presidente do STF.

A pauta do plenário pode ser conferida aqui. De acordo com a última atualização, nesta quinta-feira, 3, há 28 processos com repercussão geral.

Dos processos em pauta, 423 são de Direito Administrativo e outras matérias de Direito Público, de um total de 732 processos. Em segundo lugar, Direito Tributário com 85 processos em pauta, seguido por Direito Processual Civil e do Trabalho com 62 processos.


Fonte: 
http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI170324,21048-Processos+com+repercussao+geral+serao+prioridade+em+2013+no+STF

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

GOLPE NO SUPREMO - POR CARLOS SINATRA - COMPARTILHEM!!



GOLPE NO SUPREMO



Amigos, a situação política do Brasil está grave, diante da iminência de ruptura do estado de direito, perpetrado pelos "petralhas", inconformados pela condenação do "subchefe da quadrilha" José Dirceu (o chefe é o Lula).

A manifestação do PT em São Paulo, contra a condenação dos seus membros em razão do julgamento do mensalão, é perfeitamente admissível numa democracia.

Todavia, as manifestações dos "porta-vozes", Tóffoli e Lewandovsky, pedindo a "transformação" da pena de prisão em multa, é um ESCÁRNIO, INADMISSÍVEL DE SER PROPOSTA POR UM JUIZ, AINDA MAIS SE ELE FAZ PARTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

Como estou dirigindo este e-mail para diversos amigos, a grande maioria com formação diversa da área jurídica, peço licença para um pequeno esclarecimento, do porque do perigo das manifestações dessas duas figuras nefastas que, infelizmente, tem assento no Supremo.

No Direito penal, o princípio da legalidade se desdobra em outros dois: princípio da anterioridade da lei penal e princípio da reserva legal.

Por anterioridade da lei penal, entende-se que não se pode impor uma pena a um fato praticado antes da edição desta lei, exceto se for em benefício do réu.

Já a reserva legal, estabelece não existir delito fora da definição da norma escrita. O princípio nullum crimen, nulla poena sine lege é cláusula pétrea da Constituição.

Como nós sabemos, o Código Penal é TÍPICO. Na aplicação da Lei Penal, o Juiz não pode se valer, por exemplo, da ANALOGIA.

Os elementos constitutivos de um crime devem ser preenchidos na sua TOTALIDADE.

Portanto, o Juiz deve se ater ao que está escrito na Lei Penal.

Assim, o que pode gerar tais manifestações?

É simples: incentivado por esses dois IMBECIS, a bancada dos Petralhas pode apresentar projeto de Lei, por exemplo, mudando a penalidade dos crimes de corrupção ativa e passiva (crimes contra a Administração Pública) de prisão para pena de multa.

O que acontecerá, se for feita esta alteração nas penas?

Dentro dos princípios Constitucionais e do Código Penal, a LEI POSTERIOR NÃO SE APLICA AOS CASOS JULGADOS ANTERIORMENTE, SENÃO EM BENEFÍCIO DOS RÉUS.

Por exemplo: uma pessoa é condenada a um ano de prisão por furtar uma bicicleta.

Lei posterior, revoga essa penalidade, dizendo não ser crime o furto de bicicleta.

O Réu, INSTANTANEAMENTE, terá de ser posto em liberdade.

Voltando ao mensalão, caso mude a penalidade de prisão para multa nos crimes praticados pelo Zé Dirceu, ele, simplesmente, com os milhões amealhados pela quadrilha, sairá da prisão, caso seja preso, RINDO DE TODO O POVO BRASILEIRO, EXCETO OS SEUS COMPARSAS.

Portanto, a gravidade do assunto é visível: será a desmoralização do Supremo, não de seus membros, e sim da instituição, que representa um dos PODERES DA REPÚBLICA, talvez o mais importante.

Assim, peço a você, caso concorde com os termos dessa minha manifestação, divulgue este e-mail para o maior número de pessoas, a fim de que a Nação fique atenta, e impeça um golpe na tênue democracia brasileira.

Carlos Sinatra

P.S. do Blog: Copie e cole esse texto em seu e-mail e envie para o maior número de pessoas possível, pois isso sim é uma atitude de "tomar as rédeas do Brasil de uma força-tarefa de conscientização!

O Relinchar de Lula e Genoino e todos os seus aliados


A maneira mais estúpida, autoritária e desonesta de responder a alguma crítica é tentar desqualificar quem critica, porque revela a incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos, ideias e inteligência. A prática dos coices e relinchos verbais serve para esconder sentimentos de inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma das mais populares e nefastas na atual discussão política no Brasil.

O presente que acusa o passado para se defender e legitimar seu erro. 

A outra é responder acusando o adversário de já ter feito o mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas primitivas e grosseiras de expressão na luta pelo poder, nivelando pela baixaria, e vai perder tempo quem tentar impor alguma racionalidade e educação ao debate digital.


Nelson Motta - O Estado de S.Paulo


Nem nos mais passionais bate-bocas sobre futebol alguém apela para a desqualificação pessoal, por inutilidade. Ser conservador ou liberal, gay ou hétero, honesto ou ladrão, preto ou branco, petista ou tucano, não vai fazer o gol não ser em impedimento, ser ou não ser pênalti. Numa metáfora de sabor lulístico, a política é que está virando um Fla-Flu movido pelos instintos mais primitivos.

Na semana passada, Ferreira Gullar, considerado quase unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na Folha de S. Paulo uma crônica criticando o mito Lula com dureza e argumentos, mas sem ofensas nem mentiras. Reproduzida em um "site progressista", com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital.

Ler os cento e poucos comentários, a maioria das mesmas pessoas, escondidas sob nomes diferentes, exigiria uma máscara contra gases e adicional de insalubridade, mas uma pequena parte basta para revelar o todo. Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se vendido, porque alguém só pode mudar de ideia se levar dinheiro, relinchavam sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade, sua aparência, sua inteligência, e até a sua poesia. E ninguém respondia a um só de seus argumentos.

Mas quem os lê? Só eles mesmos e seus companheiros de seita. E eu, em missão de pesquisa antropológica. Coitados, esses pobres diabos vão morrer sem ter lido um só verso de Gullar, sem saber o que perderam.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Dívida Interna: perigo à vista - por Waldir Serafim



A dívida interna do Brasil, que montava R$ 892,4 bilhões quando Lula assumiu o governo em 2003, atingiu em 2009 o montante de R$ 1,40 trilhão de reais e, segundo limites definidos pelo próprio governo, poderá fechar 2010 em R$ 1,73 trilhão de reais, quase o dobro. Crescimento de 94% em oito anos de governo.

Para 2010, segundo Plano Nacional de Financiamento do Tesouro Nacional, a necessidade bruta de financiamento para a dívida interna será de R$ 359,7 bilhões (12% do PIB), sendo R$ 280,0 bilhões para amortização do principal vencível em 2010 e R$ 79,7 bilhões somente para pagamento dos juros (economistas independentes estimam que a conta de juros passará de R$ 160,0 bilhões em 2010). Ou seja, mais uma vez, o governo, além de não amortizar um centavo da dívida principal, também não vai pagar os juros. Vai ter que rolar o principal e juros. E a dívida vai aumentar.

A dívida interna tem três origens: as despesas do governo no atendimento de suas funções típicas, quais sejam, os gastos com saúde, educação, segurança, investimentos diversos em infraestrutura, etc.. Quando esses gastos são maiores que a arrecadação tributária, o que é recorrente no Brasil, cria-se um déficit operacional que, como acontece em qualquer empresa ou família, terá que ser coberto por empréstimos, os quais o governo toma junto aos bancos, já que está proibido, constitucionalmente, de emitir dinheiro para cobrir déficits fiscais, como era feito no passado. A segunda origem são os gastos com os juros da dívida. Sendo esses muito elevados no Brasil, paga-se um montante muito alto com juros e os que não são pagos é capitalizado, aumentando ainda mais o montante da dívida. A terceira causa decorre da política monetária e cambial do governo: para atrair capitais externos ou mesmo para vender os títulos da dívida pública, o governo paga altas taxas de juros, bem maior do que a paga no exterior, e com isso o giro da dívida também fica muito alto.

A gestão das finanças de um governo assemelha-se, em grande parte, a de uma família. Quando faz um empréstimo para comprar uma casa para sua moradia, desde que as prestações mensais caibam no seu orçamento familiar, é visto como uma atitude sensata. Além de usufruir do conforto e segurança de uma casa própria, o que é um sonho de toda família, depois de quitado o empréstimo restará o imóvel. No entanto, se uma família perdulária usa dinheiro do cheque especial para fazer uma festa, por exemplo, está, como se diz na linguagem popular, almoçando o jantar. Passado o momento de euforia, além de boas lembranças, só vai ficar dívidas, e muito pesadelo, nada mais.

No caso, o Brasil está mais assemelhado ao da família perdulária: gastamos demais, irresponsavelmente, e entramos no cheque especial. Estamos pagando caro por isso. Como o governo não está conseguindo pagar a dívida no seu vencimento, e nem mesmo os juros, ao recorrer aos bancos para refinanciar seus papagaios, está tendo de pagar um “spread” (diferença entre a taxa básica de juros, Celic, e os juros efetivamente pagos) cada vez mais alto (em 2008 no auge da crise, o governo chegou a pagar um “spread” de 3,5% além da Celic). E isso, além de aumentar os encargos da dívida, é um entrave para a queda dos juros, por parte do Banco Central.

O governo tornou-se refém dos bancos: precisa de dinheiro para rolar sua dívida e está sendo coagido a pagar juros cada vez mais altos (veja os lucros dos bancos registrados em seus balanços). Em 2009, em razão das altas taxas de juros pagas, o montante da dívida cresceu 7,16% em relação ao ano anterior, mesmo o PIB não registrando qualquer crescimento.
O problema da dívida interna não é somente o seu montante, que já está escapando do controle, mas sim qual o destino que estamos dando a esses recursos. Como no caso da família que pegou empréstimo para comprar uma casa própria, se o governo pega dinheiro emprestado para aplicar em uma obra importante: estrada, usina hidroelétrica, etc. é defensável. É perfeitamente justificável que se transfira para as gerações futuras parte do compromisso assumido para a construção de obras que trarão benefício também no futuro.

Mas não é isso que está acontecendo no Brasil. O governo está gastando muito e mal. Tal qual a família perdulária, estamos fazendo festas não obras. Estamos deixando para nossos filhos e netos apenas dívidas, sem nenhum benefício a usufruir. Deixo para o prezado leitor, se quiser, elencar as obras que serão deixadas por esse governo. 

Não tenho bola de cristal para adivinhar quem vai ser o próximo presidente da República: se vai ser ele ou ela, mas posso, com segurança, afirmar, que seja quem for o eleito vai ter que pisar no freio, logo no início do governo. Vai ter que arrumar a casa.


Waldir Serafim é economista em Mato Grosso




Fonte: http://www.sonoticias.com.br/opiniao/2/100677/divida-interna-perigo-a-vista

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Brasileiro Filho da Luta.wmv

Corrupção no Brasil custa até R$ 69,1 bilhões por ano



O preço da corrupção custa para o Brasil entre R$ 41,5 e R$ 69,1 bilhões por ano. A estimativa é de um estudo divulgado hoje (13) pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
De acordo com o relatório Corrupção: Custos Econômicos e Propostas de Combate, o custo com a corrupção representa entre 1,38% a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
O dinheiro, se investido em educação, por exemplo, poderia ampliar de 34,5 milhões para 51 milhões o número de estudantes matriculados na rede pública do ensino fundamental, além de melhorar as condições de vida do brasileiro.
"O custo extremamente elevado da corrupção no Brasil prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável", diz o estudo da Fiesp.
O relatório aponta também que, se o desvio de verbas no país fosse menor, a quantidade de leitos para internação nos hospitais públicos poderia subir de 367.397 para 694.409.
O dinheiro desviado também poderia atender com moradias mais de 2,9 milhões de famílias e levar saneamento básico a mais de 23,3 milhões de domicílios.

Para a área de infraestrutura, o relatório calcula que se não houvesse tanta corrupção, 277 novos aeroportos poderiam ser construídos no país.

A precariedade dos terminais é um dos maiores problemas para a realização da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
O estudo também revela, citando informações da organização não governamental (ONG) Transparência Internacional, que o país conseguiu reduzir a corrupção, mas não foi suficiente para tirá-lo, em 2009, da 75ª colocação em um ranking de 180 países.
O relatório da Fiesp propõe como medidas de combate à corrupção uma reforma política que, entre outras coisas, estabeleça regras e procedimentos transparentes para o controle do financiamento de campanhas eleitorais; uma reforma do judiciário, com medidas que reduzam a percepção da impunidade e que punam mais rapidamente os casos de corrupção; uma reforma administrativa, que reduza as nomeações para cargos de confiança, o poder de barganha no jogo político e a captação de propinas nas estatais; além de reformas fiscal e tributária, que aumentem o controle sobre os gastos públicos e evitem o pagamento de propinas.
Fonte: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/corrupcao-no-brasil-custa-ate-r-691-bilhoes-por-ano_82676.html